quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bem-Vindo a Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo da lei

Lá tenho a informação que quero

Das fontes que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma semeadura

De tal modo independente

Que Dom Quixote Louco

e falso demente

Vem a ser contraparente

Do familiar que nunca tive


E como farei justiça

Andarei tranquilamente

Realizarei debates

Subirei as montanhas

Tomarei banho de chuva!

E quando estiver cansada

Deito na beira do rio Tietê

Mando chamar a sereia Lara

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menina

Dona Benta vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a corrupção

Não tem metralhadoras automáticas

Nem mesmo desigualdade

Tem diversão à vontade

E bonitas paisagens

Para a gente adorar

E quando eu estiver bem  triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Realizarei os sonhos que quero

Do modo que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.